Na Bielorrússia, o Vice‑Governador do Banco Nacional anunciou que, num futuro próximo, os trabalhadores independentes — isto é, empresários e freelancers — poderão receber o pagamento pelos seus serviços em criptomoeda.
À primeira vista, parece progressista. Ainda mais ambicioso do que em El Salvador, onde regras semelhantes se aplicam apenas ao Bitcoin, não a outras criptomoedas.
Mas vamos olhar mais de perto o que isto realmente significa.
Em 2017, a Bielorrússia introduziu cripto legislação que era, possivelmente, a mais liberal do mundo na altura. Podia-se fazer quase tudo com criptomoedas, e a maioria das transações era isenta de impostos.
Depois, em 2021, as regras mudaram. Foi introduzida uma proibição à atividade empresarial que envolvia o recebimento de criptomoedas. Na prática, isto significou que os proprietários de negócios deixaram de poder receber sistematicamente cripto como pagamento pelos seus serviços.
Agora o Banco Nacional diz que esse direito será restaurado para empresários e freelancers.
Há, no entanto, um senão.
Tais pagamentos terão, porém, de passar por “bancos cripto” especialmente criados. O que isto significa é: o empresário faz o trabalho — e o banco recebe a criptomoeda em seu lugar. O empresário, na realidade, não terá qualquer cripto. O que terá é um crédito contra o banco. Uma promessa no papel. E não há certeza de que o banco satisfaça essa reivindicação nos seus termos, no seu prazo, ou sequer a cumpra.
Estou confiante de que bancos centrais noutros países serão tentados a adotar o mesmo modelo.
Não se deixe enganar. Isto não é o direito de receber criptomoeda. Isto é um substituto.
Receber criptomoeda significa que os fundos são enviados diretamente para uma carteira sob o seu controlo total — tal como quando troca ativos em rabbit.io.